Escultura labial: anatomia, proporção e técnica

Escultura labial: anatomia, proporção e técnica

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Rubelisa Cândido seleciona trabalhos que tratam a escultura labial, onde conhecimento profundo de anatomia, proporções e técnicas é mandatório.

À medida que as pessoas envelhecem, passam a procurar cada vez mais por procedimentos que resgatem sua aparência mais jovem. Tratamentos dentários, por meio de reabilitação com implantes dentários, cirurgia estética gengival e restaurações dentárias rejuvenescem a arquitetura dos tecidos moles. No entanto, sem um contorno labial vívido, o trabalho intrabucal, muitas vezes, não é sufi ciente para a satisfação do paciente.

Em seu convívio social, o paciente é observado durante a fala, sorrindo e com os lábios em repouso. Nesses momentos, o conjunto arquitetura labial e dentes faz a harmonia do sorriso. Com a idade, o lábio sofre alterações previsíveis que obstruem a visão da dentição. Perda de volume, arquitetura e alongamento gradual dos lábios são comuns.

Conforme Altamiro Flávio destaca em seu livro “Toxina botulínica para Harmonização Facial”, alguns parâmetros devem ser considerados ao avaliar dentes e lábios:

  • as comissuras labiais em repouso estão posicionadas distalmente às pontas dos caninos;
  • a distância média de comissura à comissura é de 50 mm. O tamanho dos centrais deve ser proporcional a essa distância;
  • em repouso, o lábio inferior tem 25% mais vermelhão que o lábio superior;
  • sem selamento labial, a separação entre os lábios é de 3 mm;
  • a relação de exposição incisal ideal para dentes anteriores superiores em repouso é 6/4/2; entre vários outros que o livro traz com maestria.

Embasados no exposto aqui, conclui-se que para um bom resultado ao trabalhar com escultura labial, mais uma vez o conhecimento profundo de anatomia, proporções e técnicas é mandatório.

Aumento labial – discussão e debate

Maloney BP, Truswell W, Waldman SR. Lip augmentation: discussion and debate. Facial Plast Surg Clin North Am 2012;20(3):327-46.

Por que é interessante: este artigo é inusitado pelo simples fato de trazer de forma impressa uma discussão entre três especialistas de forma interativa com vídeos que podem ser acessados on-line.

Desenho experimental: algumas perguntas foram respondidas por três especialistas:

  1. A cirurgia é sempre uma alternativa melhor do que os preenchimentos injetáveis para melhorar os lábios?
  2. Qual o papel dos implantes labiais permanentes nos pacientes de hoje?
  3. Como você conversa com a pessoa com queixa de lábios finos ou pequenos que procura aumentá-los?
  4. Como você lida com os cantos da boca que ficam virados para baixo?
  5. Como você lida com uma pessoa que já tinha lábios carnudos, mas agora está perdendo volume, principalmente nos cantos?
  6. Quais qualidades do lábio são importantes para preservar ao considerar vários materiais e técnicas de aumento de lábio?
  7. Quais são as melhores maneiras de reduzir o comprimento do lábio superior?
  8. Análise: nos últimos cinco anos, como mudou sua técnica ou abordagem dos lábios ou o que foi mais importante na sua curva de aprendizado na realização de acréscimos labiais?

Os achados: todos os especialistas respondem às perguntas e trazem casos clínicos ilustrativos, o que enriquece muito a explanação de cada um. Não há como resumir aqui nesta resenha o que cada autor elucida. Vale muito a pena o leitor buscar o artigo completo.

Conclusão: é preciso ter muito senso crítico e analítico, pois cada especialista traz sua experiência. Nem todos os casos têm sucesso e satisfação clínica por parte do paciente. Por isso, a melhor técnica deve ser selecionada de acordo com cada caso.

Artigo original disponível em: <https://bit.ly/2snDZ60>.

Novos preenchedores para rugas e lábios

Niamtu J 3rd. New lip and wrinkle fillers. Oral Maxillofac Surg Clin North Am 2005;17(1):17-28.

Por que é interessante: um artigo extremamente didático, que traz uma revisão interessante e ao mesmo tempo demonstra o passo a passo do uso clínico dos preenchedores para tratamento de ruga e melhora estética do contorno e do volume dos lábios.

Desenho experimental: revisão associada à ilustração de casos. Subdivisão nos seguintes tópicos:

  • Descrição de preenchedores desde o colágeno, a gordura hidroxiapatita e os à base de ácido hialurônico;
  • Considerações sobre o tratamento (análise minuciosa do formato do lábio e discussão com o paciente entre expectativa e realidade);
  • Tratamento dos lábios (discussão entre as técnicas de injeção linear e pontilhada);
  • Considerações anestésicas (anestesia local);
  • Injeção nas comissuras;
  • Trabalho de escultura de linhas e depressões;
  • Injeção na linha de contorno labial;
  • Injeção no sulco nasolabial;
  • Complicações (injeção intravascular; necrose tecidual; escoriações; edema excessivo; hematoma; assimetria; preenchedor em excesso; falta de preenchedor; irregularidades no contorno (nódulos); injeções superficiais levando à visibilidade do material por transparência da mucosa ou pele e herpes simples).

Os achados e conclusão: a cirurgia facial cosmética é parte integrante da especialidade da cirurgia bucomaxilofacial. Os preenchimentos faciais injetáveis se encaixam bem no arsenal do cirurgião contemporâneo. Esses procedimentos, geralmente, são simples de aprender, proporcionam alta satisfação ao paciente e produzem poucas complicações.

Artigo original disponível em: <https://bit.ly/2RKbuu4>.

Opções de tratamento para otimizar área estética anterior em pacientes com lábios envelhecidos

Perenack J. Treatment options to optimize display of anterior dental esthetics in the patient with the aged lip. J Oral Maxillofac Surg 2005;63(11):1634-41.

Por que é interessante: este artigo apresenta uma abordagem sistemática para avaliação, diagnóstico e planejamento de tratamento para queixas de lábios envelhecidos. As soluções apresentadas incluem vários métodos de aumento labial para corrigir atrofia labial e perda de arquitetura como também a técnica subnasal de lifting labial.

Desenho experimental: a avaliação e o diagnóstico adequados das alterações labiais senis, como atrofia, perda da arquitetura e do alongamento, levam a um plano de tratamento confiável que fornece uma estrutura mais estética para o sorriso. São discutidas opções de tratamento que atuam para reverter esses problemas. Procedimentos direcionados de aumento labial são usados para corrigir a perda de volume e de arquitetura labial. A técnica subnasal de lifting labial é descrita com maiores detalhes e ilustrada. Os riscos e as limitações desses procedimentos são abordados.

Os achados: os elementos de volume do lábio estão relacionados principalmente à forma e ao tamanho da porção vermelha do lábio. No lábio superior, o tubérculo central e as extensões laterais emparelhadas fornecem contorno para a maior parte do lábio. No lábio superior, há uma tendência de inversão com diminuição da quantidade de vermelhão visível, produzindo ainda mais uma projeção fina do lábio. Para correção, os autores descrevem técnicas para as seguintes situações:

  • Tratamento para a perda de arquitetura – injeção de preenchedores na linha branca e nas colunas do filtrum;
  • Tratamento para a perda de volume – injeção de diferentes tipos de enxerto ou preenchedores;
  • Tratamento para o aumento do comprimento do lábio – o lip lifting subnasal envolve excisão de uma tira de pele e músculo do lábio superior imediatamente inferior à junção nasolabial.

Conclusão: o aumento labial direcionado combinado com levantamento labial (lip lifting) fornece um método confiável para aperfeiçoar o sorriso enquanto cria uma região peribucal mais jovem.

Artigo original disponível em: <https://bit.ly/2s41CAQ>.

Revisão sistemática dos procedimentos de “preenchimento” para aumento labial sobre tipos de material, resultados e complicações

Moragas JSM, Reddy RR, Alfaro FH, Mommaerts MY. Systematic review of “fi lling” procedures for lip augmentation regarding types of material, outcomes and complications. J Craniomaxillofac Surg 2015;43(6):883-906.

Por que é interessante: o estudo apresenta detalhadamente a metodologia empregada, inclusive com a realização de meta-regressão, possibilitando boas inferências sobre os materiais, os resultados e as complicações relatados.

Desenho experimental: um total de 38 estudos foi incluído nesta revisão, sendo 27 para avaliar a eficácia dos preenchedores usados em lábio e 35 para as taxas de complicações.

Os seguintes critérios foram utilizados para selecionar estudos: 1) pacientes humanos; 2) lábios sem patologia; 3) técnicas de aumento labial usando preenchimentos ou enxertos; 4) o número de pacientes foi declarado; 5) pelo menos dez pacientes no estudo; e 6) a taxa de complicações ou eficácia foi relatada com dados quantificáveis. Os critérios de exclusão foram: 1) uso de preenchedor para a prega nasolabial, linhas de marionete ou cantos da boca; 2) ressurgimento, descamação, laser, injeções de toxina botulínica ou tatuagens; 3) resultados de eficácia ou complicações relacionadas ao lábio não foram claramente indicados; 4) lifting labial ou avanço labial; 5) plastia do lábio superior; 6) nível de evidência (LOE) classificado como V; 7) revisões ou sistemáticas; e 8) idiomas que não sejam inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, português e italiano.

Os achados: os preenchimentos faciais podem ser classificados em duas grandes categorias: biológicos e não biológicos. A partir da tabulação dos dados, os autores fazem uma discussão em torno dos materiais, das complicações (edema, eritema, sangramento, infecção, dor, desordens neurológicas, nódulos e granulomas e reações alérgicas) e dos resultados obtidos pelos estudos selecionados.

Conclusão: esta revisão sistemática resumiu os dados de qualidade atualmente disponíveis nos estudos sobre o assunto. No entanto, apenas 21% dos artigos tinham nível de evidência de qualidade de nível II ou superior. Devido à considerável diversidade de procedimentos, não foram possíveis comparações ou conclusões definitivas. São necessários estudos prospectivos e ensaios clínicos de mais alta qualidade para entender melhor a eficácia e a segurança associadas a esse procedimento.

Artigo original disponível em: <https://bit.ly/34efMfY>.

Rubelisa Cândido Gomes de OliveiraRubelisa Cândido Gomes de Oliveira
Especialista em Periodontia – FOAr/Unesp; Mestra em Odontologia, doutora em Ciências da Saúde e pós-doutoranda em Periodontia – UFG.
Orcid: 0000-0001-9385-6569.