Terapias biofotônicas no pós-operatório

Terapias biofotônicas no pós-operatório

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Meire Maman mostra como as terapias biofotônicas podem auxiliar no pós-operatório, período importante em qualquer tratamento.


O período pós-operatório é importante em qualquer tratamento. Por isso, é de suma importância oferecer ao paciente as melhores condições em termos de conforto e controle dos efeitos colaterais.

Apesar de serem sintomas transitórios na maioria dos casos, como dor leve no local, edema e hematomas, tais ocorrências podem resultar em comprometimento estético e funcional da área tratada. Por isso, o período pós-operatório pode restringir algumas atividades cotidianas e o convívio social do paciente.

As terapias biofotônicas (TB) que envolvem o laser de baixa intensidade e os LEDs através do processo de fotobiomodulação (FBM) tornam o pós-operatório mais previsível e confortável, inclusive reduzindo a necessidade de medicamentos.

Os benefícios da FBM são muito bem descritos na literatura e empregados nas várias especialidades médicas e odontológicas por serem um recurso seguro, não invasivo e de grande eficácia como terapia única ou associada a outros métodos terapêuticos.

A absorção da luz ocorre através de aceptores específicos presentes na mitocôndria e na membrana celular, e desencadeia eventos bioquímicos no metabolismo, que resultam no reequilíbrio da cadeia respiratória, na produção de energia (ATP) e na síntese de DNA. Uma vez que a célula alcança a sua homeostase respiratória e energética, são observados vários efeitos benéficos no processo de reparação tecidual, como os citados a seguir.

Modulação da inflamação

A correção do processo de respiração celular significa menor produção de espécies livres de oxigênio (EROS) e, portanto, um controle da liberação de fatores pró-inflamatórios, como NF-κB, TNF-α, IL-1β, IL-6, IL-8 e COX2.

A redução da COX2 é de vital importância para a diminuição da síntese da PG2 (prostaglandina 2) e do aparecimento dos sinais clássicos da inflamação: calor, rubor, dor, edema e perda de função. O resultado de todos esses eventos é um controle precoce do processo inflamatório.

Redução da dor

O gerenciamento da inflamação e do edema determina a diminuição da percepção álgica na região. Devido ao equilíbrio energético da cadeia respiratória, há a estabilização da membrana celular e, com isso, a diminuição da liberação de mediadores nosciceptivos como a bradicinina, a serotonina e as prostaglandinas. Esse aporte de energia também atua na bomba de sódio e de potássio, e modula o limiar de potencial de ação, ou seja, na normalização da transmissão do impulso na rede neural.

Estímulo da vascularização e aumento do fluxo do sangue A energia luminosa atua sobre a regulação óxido nítrico (ON), liberando uma parcela de ON que age no relaxamento da parede dos vasos e, consequentemente, no extravasamento dos elementos defensivos do sangue para os tecidos. Por outro lado, os estudos demonstram que as terapias biofotônicas estimulam a liberação de fatores de crescimento fibroblástico (FGF-2), fatores de crescimento vascular endotelial (VEGF) e fatores de crescimento transformador beta (TGF β), estimulando a angiogênese.

Aumento da drenagem linfática

O laser promove o aumento do fluxo da linfa e a regeneração dos vasos linfáticos, o que favorece a eliminação de substâncias inflamatórias, reduzindo os edemas e gerando um ambiente mais propício à cicatrização.

Aceleração na síntese de colágeno

As terapias biofotônicas induzem ao aumento da atividade mitótica e à proliferação dos fibroblastos, à abreviação da transformação em miofibroblastos e ao alinhamento das fibras colágenas, o que o confere uma reparação mais rápida e eleva o padrão estético da cicatriz.

Reparação dos tecidos moles e duros

Devido à maior vascularização tecidual, há o aumento do aporte de oxigênio e de nutrientes nos tecidos. Por outro lado, as terapias biofotônicas promovem a homeostase intracelular, e essas condições favoráveis resultam no incremento da taxa de proliferação e de diferenciação celular.

O emprego da luz tem indicação nos pós-operatórios em um grande espectro de procedimentos da nossa clínica, como nos implantes, nas cirurgias, nas extrações, no controle da sensibilidade após o preparo de prótese, nos enxertos ósseos e na cirurgia plástica periodontal.

Na área da estética, as terapias biofotônicas potencializam os procedimentos de Harmonização Orofacial em que é almejado o estímulo da produção de colágeno, a melhora da qualidade e da hidratação da pele, a melhora do tônus muscular e da gestão do envelhecimento.

Um aspecto muito interessante são as indicações das terapias biofotônicas no tratamento dos efeitos colaterais, como a diminuição do edema sem a manipulação, na resolução acelerada dos hematomas e na associação com outras terapias para o tratamento das intercorrências mais severas, como a necrose tecidual, as infecções e as parestesias e paralisias.

O profissional que atua ou pretende atuar na área da estética facial precisa ter o domínio dessa Ciência, que envolve a interação dos fenômenos físicos da luz com a célula. Dessa forma, ele poderá elaborar a melhor estratégia em cada situação, seja na prevenção ou no tratamento dos efeitos adversos.

Por fim, vale salientar que vejo com grande satisfação a inclusão da fototerapia facial no programa dos cursos de especialização de Harmonização Orofacial, conforme a Resolução no 198/2019, publicada em 29 de janeiro de 2019 pelo CFO.

Sem dúvida, esse será um grande impulso para a disseminação do conhecimento do poder das terapias biofotônicas em promover a saúde celular e dos seus efeitos terapêuticos em lesões estabelecidas.


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Meire Maman
Mestra pelo Programa de Pós-graduação em Cirurgia Plástica – Unifesp; Especialista em Periodontia – Abeno/SP, Professora colaboradora – Nupen; Fundadora da Fotobio – Cursos livres sobre Terapias Biofotônicas.
Orcid: 0000-0002-4499-0048.