Fios de PDO: vantagens da polidioxanona na sustentação de tecidos

Fios de PDO: vantagens da polidioxanona na sustentação de tecidos

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Roger Kirschner considera os fios de PDO uma técnica segura, mas que requer profundo conhecimento de anatomia e das camadas da pele.

A indução de colágeno e a sustentação de tecidos faciais por meio de fios de polidioxanona (PDO) é um procedimento cosmético que vem ganhando cada vez mais importância dentro da prática da Harmonização Orofacial. Nos últimos anos, esse recurso terapêutico tem se destacado por promover resultados bastante favoráveis no reposicionamento de tecidos faciais e na melhora da flacidez da pele, desfrutando da vantagem de ser um material reabsorvível.

Quando os fios de sustentação começaram a ser utilizados nos procedimentos estéticos, os profissionais do setor passaram a se preocupar com os efeitos indesejados provocados pelos materiais permanentes. Assim, a PDO surgiu como uma opção interessante, já que se trata de um polímero biodegradável e reabsorvível, usado em suturas cirúrgicas de feridas que necessitam de aproximação de bordas (tração), especialmente nas áreas de Urologia, Gastroenterologia e Oftalmologia.

O período de absorção da PDO pelo corpo humano é de 180 a 240 dias. O uso desses fios se originou na Coreia do Sul há cerca de dez anos e sua popularidade continuou a crescer. O tratamento reduz a flacidez da pele e a visibilidade das rugas, levantando a testa e as sobrancelhas, preenchendo sulcos e vincos.

O processo de recuperação do tecido se inicia logo após a instalação dos fios no tecido, na derme ou subderme, com a reação inflamatória decorrente do trauma provocado pela agulha ou cânula. O corpo libera substâncias quimiotáxicas vasoativas, fatores de crescimento, ativação plaquetária e vasodilatação.

Em seguida, tem início o processo de lise celular, com a dissolução do fio de PDO. Com o passar do tempo, o fio vai alterando sua coloração, passando da cor azulada para branco ou transparente. Após algumas semanas, um tecido cicatricial se forma no local, com feixes de fibras de colágeno. Durante a biodegradação do fio, também ocorre a indução de neocolagênese, ou seja, a PDO funciona como um bioestimulador.

Assim como acontece com frequência na Harmonização Orofacial, a adoção de uma monoterapia nem sempre leva ao melhor resultado clínico. Por isso, o profissional deve sempre considerar a oportunidade de combinar o tratamento de fios de sustentação com outras terapias complementares. As agulhas ou cânulas utilizadas para aplicação dos fios também podem ser utilizadas para injetar outros materiais bioestimuladores, como ácido hialurônico, mesclas, silício, entre outros.

Outra decisão importante é com relação ao tipo de fio utilizado, já que existem fios lisos – com variações de espessura e formas –, e também espiculados, indicados para os procedimentos de lifting.

Entre as possíveis intercorrências de maior gravidade, estão as lesões na parte nervosa/motora da face. Dor, edema, assimetria, extrusão do fio e pregueamento da pele são complicações temporárias e fáceis de serem tratadas. Nos casos em que o fio é instalado superficialmente e fica visível pela sua cor azulada na pele, é possível acelerar a lise celular e a absorção da PDO pelo organismo, utilizando procedimentos como radiofrequência, ultrassom e fotobiomodulação.

Considerando o reduzido número de opções de marcas disponíveis no mercado e a atual paridade cambial entre o dólar americano e o real brasileiro, o custo para importação dos fios de PDO pode representar um obstáculo para o tratamento.

Particularmente, considero a utilização de fios de sustentação de PDO uma técnica muito segura, mas que necessita de um profundo conhecimento de anatomia e das propriedades das camadas da pele. É importante saber diferenciar a flacidez tissular e a muscular. Peles muito flácidas, rostos pesados e áreas que passaram por outras intervenções devem ser levados em consideração no planejamento.

Em minha atuação clínica, utilizo fios de PDO há mais de oito anos e vejo resultados espetaculares. Evidentemente, assim como acontece com outros procedimentos, é preciso sempre respeitar as indicações e as restrições de uso.


Confira outras edições da coluna “Materiais bioestimuladores”, de Roger Kirschner.

Roger KirschnerRoger Kirschner
Mestre e especialista em Prótese Dentária e Especialista em Periodontia – SLMandic; Especialista em Implantodontia – FMU; MBA em Visagismo – Estácio.
Orcid: 0000-0002-9589-6094.